terça-feira, 5 de julho de 2011

Observação de aula

Atividade – Relatório de observação de aula - 16/06/2011
A escola da rede municipal de ensino de Caxias do Sul em que observei a aula situa-se na zona urbana. Fica num bairro da zona leste da cidade e atende alunos de cinco loteamentos próximos do bairro, por ser a maior escola do município. A escola atende cerca de novecentos alunos em três turnos. Foram observadas duas aulas de 50 minutos com a turma 5.3. As turmas de 5º ano têm duas aulas semanais de artes. Uma aula é realizada na sala de aula, na outra, na sala de artes.
Numa aula, a professora levou os alunos no auditório para apresentar no datashow a biografia e as imagens das obras de Alfredo Volpi. Em cada apresentação, comentava e questionava os alunos sobre as imagens, propondo a leitura das mesmas.
Na segunda aula que observei, a professora buscou os alunos na sala, conduzindo-os até a sala de artes. Então, lançou a proposta dos alunos realizarem a releitura das obras de Volpi em suas bandeirinhas. Primeiramente, apresentou um molde quadrado com as medidas que cada bandeirinha deveria ter, bem como as posições de recorte delas. As bandeirinhas foram confeccionadas em folha de desenho e papel vegetal. Então, dividiu a turma de 30 alunos em 6 grupos de 5 alunos. Para cada grupo, foi proposta uma técnica de textura, desenho ou frotagem nas bandeirinhas, utilizando diversos materiais (giz de cera, carimbos, retalhos de tecido, de papel, E.V.A., sucata, alimentos...) e também a exploração de um tema diferente: vida de Alfredo Volpi; influência da cultura italiana nas festas juninas; características das obras de Volpi; vestimenta e comidas juninas; quadrilhas e letras de músicas juninas; palavras que caracterizam festas juninas; tradições de festas juninas; uso de cores primárias, secundárias e terciárias.
A professora de Ensino da Arte tem 46 anos, tem curso de Licenciatura em Artes Plásticas pela Universidade de Caxias do Sul (em 1987). Está cursando pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva. É professora da rede municipal de ensino de Caxias do Sul desde 1991. A professora atende as turmas de 4º e 5º anos do Ensino Fundamental no turno da tarde, que somam 240 alunos. Ela divide uma sala de artes com a outra professora da área que atende as turmas de 2º e 3º anos.
A sala de artes possui 6 mesas grandes que comportariam 6 alunos em cada uma. Porém, como as turmas possuem de 28 a 30 alunos cada, o espaço se torna de difícil circulação. Neste local, também há uma pia (cuja torneira não funciona), três armários grandes e duas prateleiras carregadas com muitas caixas de material que são trazidos pelos alunos. As paredes são revestidas de azulejos claros e não há nenhuma imagem nelas. A sala de artes possui um aspecto de despensa.
A professora tem um bom relacionamento com os alunos. Os alunos da turma são bastante agitados, mas não são agressivos com a professora, mas sim, entre eles mesmos. A professora precisa interromper por várias vezes as explicações a fim de obter organização e conduzir a realização dos trabalhos.
Objetivo do plano de trabalho da turma 5.3 na área de artes: Aproveitando o tema abordado nas aulas de história do 5º ano, cujo tema é Imigração Italiana no Brasil, foram trabalhadas a vida e a obra do artista Alfredo Volpi (1896-19880, que era filho de imigrantes italianos e veio para o Brasil com um ano de idade. A partir da história de vida deste artista e da leitura de suas obras, o trabalho foi direcionado para a releitura das mesmas. A releitura propõe a confecção de bandeirinhas com diferentes texturas, cores e temáticas (influência da imigração italiana nas festas juninas, vida e obra de Alfredo Volpi, características e origem das festas juninas).
A professora pretende trabalhar a confecção de bandeirinhas com diferentes texturas (frotagem, carimbos, sobreposições de materiais, ...) e explorando diferentes materiais (cola colorida, papel vegetal, giz de cera, folhas de revista e jornal, E.V.A., ...). E sua proposta pretende também que cada aluno decore sua bandeirinha tendo como foco uma temática: vida e obra de Volpi; características e origem das festas juninas; ... a fim de organizar um grande mural para ser utilizado na decoração da festa junina da escola.
A culminância deste plano de trabalho se dará em agosto, pois a partir da releitura das obras de Volpi, haverá a abordagem da influência dos imigrantes na cultura brasileira.

Artes Visuais na contemporaneidade

Questionar, desacomodar, problematizar, instigar, estender caminhos à reflexão... O ensino de Arte na contemporaneidade deve estar norteado nestas ações. A Arte também proporciona conhecimento e também nos leva à transformação.
"Tratando mais especificamente de cada ação da Proposta Triangular e pensando a avaliação como uma reflexão e como a tomada de consciência dos sujeitos envolvidos - educador e estudantes – nosso referencial teórico propõe, no que se refere ao fazer artístico, que possam ser contemplados e percebidos os processos vivenciados pelos(as) estudantes no que se refere as propostas trabalhadas, a exploração dos suportes, os avanços na produção de desenho e a reelaboração e exploração de novas configurações, o uso de materiais, a exploração dos elementos da linguagem visual."
No que se refere à leitura de imagens, espera-se que o(a) arte/educador(a) adote uma teoria que possa nortear cada etapa/estágio da leitura vivenciada pelos(as) estudantes e poder determinar e/ou perceber o nível de desenvolvimento estético de cada um(a) ao ler imagens. Nesse sentido, temos as contribuições de Robert Ott, Michael Parsons, Edmund Feldman e mais recentemente as contribuições de Fernando Hernández para a importância da leitura crítica de imagens do cotidiano."
"Artes Visuais na escola considera a arte como elemento fundante para a construção de conhecimentos, possibilita a formação de um sujeito crítico e consciente, leitor reflexivo do mundo, sujeito que compreende a diversidade como constituinte de nossa formação, capaz de perceber os problemas e propor transformações para o entorno e para um contexto mais amplo."
(Fabiana Souto Lima Vidal – UFPE)
Elaborei uma situação de aprendizagem:
Atividade: situação de aprendizagem

“Vitória ou Morte” , Eugenio Merino.
Escolhi a escultura “Vitória ou Morte” do artista espanhol Eugenio Merino que fez parte da exposição da Feira Internacional de Arte Contemporânea (ARCO 2011) de Madrid. A obra chamou a minha atenção por apresentar um gesto feito com os dedos anelar e indicador, que simboliza universalmente a paz, porém a cor vermelha da mão e o arame farpado cercando a mesma, remetem a ideia de que esta “paz não existe”, ou seja, direciona à violência (vivenciada em todos os cantos do planeta). Esta obra pode ser trabalhada em sala de aula tanto para se trabalhar o simbolismo do gesto (paz), bem como suas manifestações, pessoas que a promovem, situações de busca por ela... Como também a representação da cor vermelha e da presença do arame farpado que podem nos remeter à violência que faz parte em diversos âmbitos em nossas vidas (na família, na comunidade, no bairro, no trânsito, nas instituições, na cidade, no país, no mundo...). E também pode ser feita a ligação da obra com a Arte Contemporânea, que num primeiro olhar pode nos causar estranheza, não nos mostrar nada de belo por se tratar de uma obra de arte, mas muito pode nos dizer. E então, se trabalhar a mensagem que a obra pode nos trazer (através do gesto , da cor e do objeto apresentado nela, o que toda a composição quer nos dizer, a crítica e a reflexão a que nos remete).
Fonte de pesquisa:
http://regbit.blogspot.com/2011/02/feira-de-arte-contemporanea-na-espanha.html

Tendências pedagógicas e o Ensino de Artes Visuais

Realizei o trabalho sobre "Tendências pedagógicas e o ensino de artes - panorama histórico" abordando a "ESCOLA TRADICIONAL"

“ O adulto, detentor do saber, incutiria na criança conhecimentos e valores morais aceitáveis socialmente."Ferraz e Fusari (1993, p. 23)
“A escola tradicional reproduz modelos, não estimula a participação dos estudantes e da comunidade, define o professor como o centro das atividades e propostas, firma previamente os conteúdos a serem ensinados e despreza o conhecimento de mundo dos educandos.” (http://www.planetaeducacao.com.br/)

O ensino de Arte na pedagogia tradicional:
Inicia-se no século XIX e se estende para o século XX.
Valorizava a transmissão do conteúdo de forma reprodutivista preocupando-se, sobretudo, com o produto do trabalho escolar.
Esse produto demonstrava o quanto o aluno aprendeu do “fazer técnico e científico” dos conteúdos abordados.
Os conteúdos são verdades absolutas, dissociadas da vivência dos alunos e de sua realidade social.
A metodologia aplicada nas aulas de desenho na escola tradicional, é feita através de exercícios propostos pelo professor, com
reproduções de modelos, exclusivamente voltados para o aprimoramento do desenho e da destreza motora, percepção visual e arte pautada pela concepção estética do belo.
O aluno é o receptor passivo, inserido em um mundo que irá conhecer pelo repasse de informações.
A avaliação é centrada no produto do trabalho.
“Na arte: mimética, cópias, modelos externos, fazer técnica e científico, conteúdo reprodutivista, mantém a divisão social existente, canto orfeônico, trabalhos manuais.” (http://www.cedap.assis.unesp.br/cantolibertario/textos/0145.html)

Ao refletir sobre a pedagogia tradicional, percebe-se que ela continua forte e persistente na grande maioria das escolas e universidades.Na questão do ensino e da aprendizagem da arte, esta continua restringindo-se à cópia e à repetição de modelos propostos pelo professor, com o objetivo de desenvolver a coordenação motora e a percepção visual do aluno, que se exercita ao copiar fielmente, o mais completo possível, do modelo original. Essa concepção está presente na maioria dos cursos de arte espalhados pelo País, bem como nas escolas, pode – se ver muitas aulas dessa forma.
Ainda temos aulas que parecem repetir os passos das aulas tradicionais:
• “Recordação da aula anterior ou preparação para aula do momento
• Apresentação de novos conhecimentos, principalmente através de aulas expositivas,
• Assimilação do novo conhecimento por parte do aluno por meio de comparações,
• Generalização e identificação dos conhecimentos por meio de exercícios,
• Aplicação dos novos conhecimentos em diferentes situações, atribuindo para isso , “ lições de casa” com exercícios de fixação e memorização.” (Fuzari e Ferraz, 2001, p. 27)
• O ideal é aplicar os pontos positivos de cada método, ou seja, um cenário no qual o professor conhece e domina o conteúdo a ser ministrado e os alunos utilizam o senso crítico. Neste processo de ensino e aprendizagem , a participação ativa do professor e do aluno é fundamental para se alcançar os objetivos. Claro que não somente por meio de comparações, mas com reflexões para formação da cidadania, relacionando passado e presente, ampliando a formação cultural e não esquecendo as concepções de mundo e de sociedade que queremos vivenciar e construir com os alunos.
• Ainda encontra-se muita resistência por parte de alguns professores que não conseguem superar a influência da pedagogia tradicional recebida durante sua formação acadêmica, mostrando insegurança para introduzir as tendências contemporâneas.

Referências bibliográficas:
• ROSSI, Maria Helena Wagner. Imagens que falam: leitura da arte na escola. Porto Alegre, mediação, 2009.
• FUSARI , Maria Felisminda de Rezende e FERRAZ, Maria Heloísa Corrêa de Toledo. Arte na educação escolar. São Paulo. Cortez, 2001.
• Fontes:
http://www.gearte.ufrgs.br/producoes/producao_gilvania07.pdf
http://revistaescola.abril.com.br/arte/fundamentos/conhecer-cultura-soltar-imaginacao-427722.shtml
http://www.arteducacao.pro.br/Artigos/educativa.htm
http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=23php?id_m=23
http://www.cedap.assis.unesp.br/cantolibertario/textos/0145.html

Discussão sobre a problemática de educar para a compreensão da arte contemporânea

Uma tarefa um tanto quanto difícil: educar para a compreensão da arte. Uma tarefa que exige o rompimento com os moldes tradicionais nos quais fomos educados e os quais fazem parte da história da nossa cultura, hábitos e valores. Uma tarefa que nos remete a propor questionamento, problematização, instigação em nossos alunos.
28/04/2011
A área de Artes Visuais nos PCNs:

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para a área de artes são um instrumento importante para o trabalho de planejamento e organização curricular.Nesta semana revisaremos alguns aspectos apontados por este documento que podem nos auxiliar a embasar nossas ações docentes com bastante propriedade.
O seguinte trecho da PCN de Arte resume a grande problemática no ensino desta área: "...A questão central do ensino de Arte no Brasil diz respeito a um enorme descompasso entre a produção teórica, que tem um trajeto de constantes perguntas e formulações, e o acesso dos professores a essa produção, que é dificultado pela fragilidade de sua formação, pela pequena quantidade de livros editados sobre o assunto, sem falar nas inúmeras visões preconcebidas que reduzem a atividade artística na escola a um verniz de superfície, que visa as comemorações de datas cívicas e enfeitar o cotidiano escolar." Mas os PCNs formam um importante documento que pode nortear os educadores de forma a apresentar a contribuição da área de Arte para a construção do conhecimento, a mudança de comportamento, a problematização, a reflexão e a formação da cidadania. 22/04/2011

Relato de uma professora de Artes Visuais...

Escolhi o relato da professora Silvia Trentin que desenvolveu um projeto no ateliê Contrastes Artes, na cidade de Não-me-Toque/RS. O seu projeto foi desenvolvido com alunos do Ensino Fundamental e Médio da rede pública e privada. O projeto denominado "Arte no trânsito e para o trânsito" teve a intenção de chamar a atenção para um questionamento e reflexão sobre uma problemática vivenciada atualmente por todos os cidadãos (a violência no trânsito) através da linguagem artística.
Após os alunos escolherem obras artísticas famosas , fizeram então, uma releitura das mesmas "inserindo-as" na problematização do tema "Educação no trânsito". As produções foram realizadas com lápis de cor, giz pastel em folhas tamanho A3. Então foram ampliadas (em tamanho 100x60cm), plastificadas e colocadas em diversas vias da movimentadas da cidade.
Considerei este relato porque o tema é de grande importância para todos (alunos,pais e professores), pedestres ou motoristas, pois vivenciamos diariamente, seja em nossas cidades, seja em telejornais o aumento do número de veículos e consequentemente de acidentes, a falta de respeito e de educação no trânsito. A escola pode ter um alcance no questionamento, na reflexão e na mudança de comportamento dos alunos com relação a este grande problema sofrido por toda a sociedade. Pode atingir pais e da forma como os trabalhos foram expostos, a comunidade. E outro ponto relevante do projeto foi de incluir a Arte na proposta, pois trata-se de uma outra forma de linguagem, mas que é universal, pode ser traduzida por todos.

Minha experiência em Artes Visuais como aluna...


Infelizmente a minha experiência na aprendizagem na área de Artes Visuais como aluna não foi relevante. Nas primeiras séries do Ensino Fundamental as aulas resumiam-se em pintura de trabalhos mimeografados e desenhos livres e nas séries finais, em representações de objetos ou de locais; trabalhos utilizando formas geométricas; ...
No Ensino Médio, no qual cursei o Magistério, tive aulas de Artes apenas no primeiro ano. Mas neste período, as aulas tiveram mais significado em minha aprendizagem. Uma aula em que aprendi muito e que apreciei foi a de Origami. Lembro que a professora de Artes buscou uma "ligação" com as aulas de Geografia, nas quais estávamos estudando sobre o Japão. Vimos a história desta arte secular e através dela um pouco da cultura japonesa, incluindo alguns tópicos de matemática. Após toda esta apresentação, fomos à prática do origami e representamos diversos animais e objetos. Até hoje gosto muito e aplico esta técnica com meus alunos (apesar de dar muito trabalho, pois é preciso paciência, muita atenção e concentração ao realizá-la).